
Um dos maiores obstáculos para compreender a verdadeira dimensão dos acidentes envolvendo crianças e adolescentes em atividades laborais é a subnotificação. Segundo o juiz do Trabalho Zéu Palmeira Sobrinho, especialista no tema, muitas famílias optam por não comunicar os acidentes às autoridades por receio de sofrerem penalizações legais.
“Geralmente, quando uma criança ou adolescente se acidenta no trabalho, a família tenta esconder o fato para evitar investigações, a atuação do Conselho Tutelar ou do Ministério Público”, afirma o magistrado. Essa prática, embora compreensível diante do medo, invisibiliza a violência e perpetua o ciclo de exploração.
O juiz destaca que muitos desses casos só chegam ao conhecimento público por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), quando as crianças são atendidas em unidades hospitalares. Um estudo da Universidade de Stanford citado por Zéu Palmeira revela que, no Brasil, o número real de trabalhadores infantis pode ser sete vezes maior do que os dados oficiais indicam.
A omissão das famílias, embora motivada pelo medo, contribui para a manutenção de um sistema que fere os direitos fundamentais de crianças e adolescentes. É urgente que a sociedade, os profissionais da área de SST e as instituições públicas atuem de forma articulada para romper esse ciclo de silêncio e violência.